Geopolítica e neorsharing em 2026

Nos últimos 12 meses, geopolítica deixou de ser assunto de jornal e virou linha de balanço. Assuntos como guerras comerciais, sanção à Rússia, tensão no Oriente Médio e eleições globais forçaram empresas americanas e europeias a repensar a cadeia.

Ou seja, a mudança de fábricas para outros territórios. E o Brasil ganha nesse quesito por ter uma junção de recursos: comida, energia, minério, água e um vasto mercado consumidor. Nesse ano, isso já aparece no fluxo de investimento estrangeiro direto e na cotação de ação de logística, porto e agro.

Neste artigo, você entenderá como o Brasil se tornou destaque em meios de produção e exportação internacional.

O que é nearshoring e por que o Brasil tem vantagem nisso?

Antes, investir e produzir na China para vender nos EUA tinha poucos riscos geopolíticos e mão de obra barata.

Mas agora o foco é produzir em países como México e Brasil para vender nos EUA. A mão de obra se tornou mais cara, mas não vem com tarifa de 25%, não tem risco de sanção e o frete é 3x mais rápido.

O Brasil se tornou o foco por conta de fatores como:

Alimento e energia: em guerra, país exportador vira Porto Seguro. E o Brasil é top 3 em soja, milho, carne, açúcar, minério e petróleo.

Nosso país é bem rico em recursos naturais, então logo se tornou um ótimo formador para outros países.

Acordo comercial EUA-México-Canadá favorece México, mas Brasil pega o que México não produz: minério, celulose e proteína animal.

Celulose é o principal componente estrutural das plantas e o composto orgânico mais abundante da natureza.

Moeda: real desvalorizado torna exportador competitivo mesmo com juro alto.

Alguns exemplos práticos nos últimos meses refletem na lotação concentrada em Santos, Itajaí e Itaqui. A tarifa de frete marítimo Brasil-EUA caiu 18% em relação à rota Ásia-EUA.

VLI, Rumo e MRS rodam no limite. Carga de grão para porto subiu 22% YoY.

Além de que a exportação dos setores de agro e proteína aumenta cada vez mais, geralmente na venda externa de carne bovina.

China ainda compra minérios, mas EUA e Europa estão diversificando fontes.

Como isso ganha oportunidade na B3?

RAIL3

Dona da malha ferroviária que leva grão a Santos. Com mais exportação, maior é o volume e o preço.

Com safra recorde e tarifa de exportação alta, é possível lucrar muito com isso em 2026.

PORT3

Operador portuário. Porto lotado faz a tarifa subir e inovar em contratos.

Com o nearshoring estadunidense, o fluxo aumenta.

Mas, em caso de greve portuária, há grandes chances de travar esse investimento.

SUZB3

Celulose é insumo de papel e embalagem. EUA querem menos dependência da China.

O catalisador de 2026 é o contrato de longo prazo com cliente estadunidense.

VALE3

Minério vira ativo geopolítico. Diversificação de clientes fora da China.

JBSS3

Proteína animal é segurança alimentar. Exportação para os EUA e Oriente Médio cresce.

A habilitação de planta para EUA, mais a força do dólar, pode ser o catalisador para crescer em 2026.

PRIO3

Petróleo leve offshore. Brasil exporta mais com o preço estável.

Caso a OPEP corte produção, Brasil ganha ação.

WEGE3

Motores e transformadores para infraestrutura de energia nos EUA.

Caso o IRA estadunidense obrigue a comprar local. A WEG possui fábricas lá.

Mas o dólar fraco reduz produção.

Observações e erros comuns

Nearshoring beneficia logística, porto e ferrovia mais que commodity em si.

Então, investir apenas em commodities não é uma boa opção para

O preço da soja cai, mas o volume de Rumo sobe.

O dólar também é um fator importante; caso o dólar vá para R$ 5,00, o exportador pede competitividade.

Além de que o Nearshoring tem um ciclo de 5-10 anos. Quando os EUA acharem de bom tom, eles podem muito bem desacelerar o fluxo.

Geopolítica fez o Brasil virar “fornecedor de confiança” de alimento, energia e minério.

O nearshoring, resumindo bem, significa: mais trem, mais navio, mais exportação.

Quem tem ativo que cobra pedágio nessa rota está no centro da tese. Ou seja, Rumo, Porto, Suzano e Vale estão no centro.

Enquanto ainda houver EUA vs. China, o fluxo continuará. Caso haja acordo, tudo desacelera.

Por isso, a tese é de 12-24 meses e não 10 anos.

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